terça-feira, 16 de outubro de 2012

Professores da rede pública de todo o País podem participar e concorrer a uma viagem para a Tunísia

Neste dia, inscreva-se no Concurso Aprender e Ensinar
Inscreva-se



O período de inscrições do 3º Concurso Aprender e Ensinar – Tecnologias Sociais foi prorrogado até o dia 26 de novembro. Promovido pela revista Fórum e a Fundação Banco do Brasil, o concurso já recebeu inscrições de educadores e professores de todo o Brasil. Com o prazo maior, a expectativa é que mais pessoas participem, ajudando a disseminar boas ideias na educação.

Podem participar professores da Educação Básica, vinculados à rede pública, institutos federais, escolas técnicas públicas e espaços não formais de educação, como EJA e ONGs. Ao se inscrever, todos ganham uma assinatura da revista Fórum até abril de 2013 e um livro sobre tecnologias sociais.

Para concorrer aos prêmios, o professor já inscrito deve efetuar a “Certificação”, que consiste em responder duas perguntas sobre a iniciativa desenvolvida ou que pretende realizar na escola. A partir das respostas serão selecionados 64 finalistas que ganharão um tablet e vão participar de seminário em Brasília, nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2013. No evento serão anunciados os seis vencedores, que irão à Tunísia para participar do Fórum Social Mundial 2013, de 23 a 28 de março.
O concurso
Esta é a terceira edição do concurso que busca reconhecer, apoiar e disseminar o uso de tecnologias sociais na educação. O 1º Concurso Aprender e Ensinar foi realizado em 2008 e recebeu 2.640 inscrições de todo o Brasil. Os vencedores foram ao FSM de Belém (PA) em janeiro de 2009. Na segunda edição, em 2010, foram 3.075 inscritos, e os cinco educadores premiados viajaram a Dacar, no Senegal, em 2011.

Tecnologias sociais
Muitos professores já utilizam tecnologias sociais (TS) em suas aulas e nem imaginam. As TS são soluções simples e de baixo custo, desenvolvidas com o envolvimento dos alunos, professores e comunidade, como os pais e vizinhos da escola. Outro aspecto das TS é que elas buscam o desenvolvimento local com transformação social e podem ser reaplicadas em qualquer lugar. Entre as iniciativas premiadas nas edições anteriores estão a construção de um forno solar, uma horta de ervas medicinais feita pelos alunos, professores e comunidade, a criação de uma moeda verde para troca de materiais recicláveis e um programa de inclusão de crianças surdas por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

domingo, 14 de outubro de 2012

Programa Nossas Crianças da Fundação Abrinq tem edital aberto


O “Nossas Crianças”, programa que repassa recursos para que organizações sociais ampliem o número de vagas, está com edital aberto para o processo seletivo 2013.
O programa realiza repasse financeiro, apoio técnico, mediação de doação de produtos e serviços. Mobiliza pessoas e empresas, desde 1993, para que adotem financeiramente crianças e adolescentes. Tudo isso para garantir atendimento de qualidade para crianças e adolescentes.
Em 2011, o programa atendeu diretamente mais de 5 mil crianças, e beneficiou indiretamente cerca de 61.647. A Rede Nossas Crianças conta com 166 organizações parceiras e 27 organizações sociais conveniadas. O programa atinge grande parte do Brasil, estando presente em 11 estados e Distrito Federal.
Clique aqui para conferir  na íntegra o edital para o Processo Seletivo 2013.
Mais informações no site da Fundação Abrinq.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Prêmio valoriza práticas pedagógicas bem-sucedidas

Até 25 de outubro, é possível se inscrever ao 6º Prêmio Professores do Brasil. A iniciativa do Ministério da Educação (MEC) tem como objetivo valorizar práticas pedagógicas bem-sucedidas, criativas e inovadoras desenvolvidas em escolas públicas do país, e que tenham sido eficientes no enfrentamento de situações-problema, considerando as diretrizes propostas no Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação.
A premiação tem uma categoria principal com tema livre que está subdivida em quatro áreas: Educação Infantil, anos iniciais do Ensino Fundamental, anos finais e Ensino Médio. Neste ano, foi criada uma categoria nova que irá premiar também projetos voltados à educação integral, ao ensino de ciências para os anos iniciais do fundamental, alfabetização nos anos iniciais e educação digital.
Serão selecionados quatro profissionais por categoria, que receberão R$ 7 mil cada, além de troféu e certificado. Para se inscrever e consultar o regulamento, acesse o site do 6º Prêmio Professores do Brasil.

Professores da rede pública podem se inscrever até 25 de outubro.o Brasil.

Fonte: Portal.aprendiz

Cearense é o primeiro surdo do país a ter mestrado em administração

Fábio teve nota máxima em exame de mestrado que cita inclusão de surdos.
Apenas 55 de 520 mil deficientes auditivos do Ceará cursam faculdade.

Fábio estuda em escola de ensino superior com ajuda de intéeprete (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)
Fábio estuda em escola de ensino superior com ajuda de intérprete
 (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

Um cearense é o primeiro surdo a concluir um curso de mestrado em administração no Brasil, segundo a Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos. Fábio Benício teve nota máxima no exame de mestrado da Universidade de Fortaleza (Unifor) e agora vai tentar o doutorado. "O doutorado é o que busco, porque a gente precisa diminuir o preconceito", afirma Fábio.
No estudo, Fábio abordou sugestões a escolas de ensino superior para incluir pessoas com deficiências auditivas, visuais e físicas. Ele lembra que poucas pessoas com deficiência têm oportunidade de cursar escolas de nível superior.
Segundo o último do IBGE, em todo o Brasil 1.895 surdos cursam uma faculdade, e apenas 55 no Ceará. Ainda de acordo com o IBGE, no Ceará há cerca de 520 mil pessoas portadoras de deficiência auditiva. "É possível adaptar e incluir essas pessoas no sistema de educação, basta haver adaptação", diz o aluno.
Fábio Benício estuda em uma escola de nível superior com ajuda de intérpretes em língua brasileira dos sinais (libras). Uma lei federal exige que todas as faculdades disponham do intérprete, mas nem todas as escolas cumprem a lei, segundo o Ministério da Educação.
"Com pequenas mudanças você pratica inclusão social. Você pode abrir uma faculdade para essa comunidade que às vezes nem tem um lugar e desiste antes de tentar", diz Mônica Tassigny, diretora do curso de administração da Universidade de Fortaleza (Unifor), onde Fábio Benício estuda.
A pedagoga e intérprete de libras Natália Almeida, que acompanhou o estudo de Fábio no mestrado, diz que teve muita dificuldade, mas que apoio os estudos do aluno. "É uma alegria bem especial essa questão dele ter sido aprovado. No início do trabalho com o Fábio, eu coloquei para ele: 'confie, apesar de todas as dificuldades, vou dar o melhor, você também. Você é competente e vai conseguir'", diz a pedagoga.

Fonte: Do G1 CE

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Projeto que limita número de alunos em sala de aula está na pauta da Comissão de Educação

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) se reúne na próxima semana e poderá votar o substitutivo ao projeto de lei que limita o número de alunos em sala de aula. A proposta (PLS 504/2011) é do senador Humberto Costa (PT-PE) e receberá decisão terminativa da comissão.
(Google Imagens)
De acordo com o projeto, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/1996), as turmas de pré-escola e dos primeiros dois anos do ensino fundamental não poderão exceder a 25 alunos. Já as classes das demais séries do ensino fundamental e as do ensino médio, determina o projeto, devem ter, no máximo, 35 alunos.
Substitutivo da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE) acrescentou a possibilidade de a turma ultrapassar o limite estabelecido em até 20%. Para isso, é necessário que a sala de aula, na educação infantil, possua tamanho equivalente a um e meio metro quadrado por aluno, e nas turmas de ensino fundamental e médio, um metro quadrado por aluno.
Ao justificar a apresentação do projeto, o senador Humberto Costa ressaltou que a relação entre o número de alunos e professores é uma das causas da falta de qualidade da maioria das escolas. O autor observou que, mesmo em escolas privadas, que investem em insumos modernos de ensino, os resultados estão aquém dos de outros países.
A reunião da CE, cuja pauta inclui 15 itens, está marcada para terça-feira (16), às 11 horas, na sala 15 da ala Alexandre Costa.

Fonte: Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Concurso de Boas Práticas para a prevenção e erradicação do trabalho infantil ou para a proteção do trabalho formal adolescente na América Latina

Headerhome_pt
Inscrição.
 A aprendizagem por meio do intercâmbio de experiências com terceiros é uma estratégia que vem gerando excelentes resultados ao redor do mundo. Sistematizar essas experiências é uma tentativa de capitalizá-las com o intuito de ampliar seu alcance e poder de difusão. Ao democratizar essa informação, pretende-se contribuir com a geração de conhecimentos sobre o que resulta mais eficaz no combate ao trabalho infantil e na proteção do trabalho adolescente permitido.
Diversas instituições e organizações sociais vêm desenvolvendo ações para combater o trabalho infantil e proteger o trabalho formal adolescente que, em menor ou maior magnitude, estão presentes em todos os países da região latino-americana. Entretanto, nem sempre conseguem transcender o âmbito local e compartilhar suas experiências e aprendizados com outras organizações e países, o que contribui na consciência do resto da sociedade sobre o impacto de eliminar o trabalho infantil e proteger o trabalho formal adolescente.
Em um esforço conjunto para identificar, valorizar e difundir Boas Práticas, a Fundação Telefônica e a OIT convocam este concurso, que pretende divulgar as experiencias e resultados positivos de organizações, que possam ser desenvolvidos, em parte ou em sua totalidade, por outras organizações e países.

O Concurso de Boas Práticas

Qualquer organização que tenha tido uma experiência para a prevenção e erradicação do trabalho infantil ou para a proteção do trabalho formal adolescente na América Latina poderá se inscrever no Concurso de Boas Práticas. Para inscrever-se será necessário preencher dois formulários, um com os dados da organização, e outro com informações sobre a experiência apresentada.
O Comitê de Avaliação será formado por 2 integrantes da Fundação Telefônica, 2 representantes da OIT e 1 representante da Rede LACTI que, em reunião, escolherão as 10 experiências finalistas do Concurso que serão reconhecidas como Boas Práticas da OIT. Os e as internautas poderão fazer parte do Juri Popular que entre tais 10 Boas Práticas escolherão 5 para serem apresentadas no IV Encontro Internacional Contra o Trabalho Infantil no Brasil.

Premiação

As experiências finalistas serão publicadas na Rede LACTI e na plataforma do IV Encontro Internacional Contra o Trabalho Infantil, e serão reconhecidas pela OIT como uma Boa Prática na prevenção e erradicação do trabalho infantil na América Latina.
As 5 experiências mais votadas serão publicadas na Rede LACTI e na plataforma do IV Encontro Internacional Contra o Trabalho Infantil e seus representantes serão convidados a apresentá-las na 4ª etapa do IV Encontro Internacional de Combate ao Trabalho Infantil, que acontecerá em junho de 2013, no Brasil.

Quais são as etapas do concurso?

Apresentação do projeto de Boas Práticas: 07 de junho de 2012, durante a primeira etapa presencial do IV Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil, realizada no Equador.
Período de inscrições: de 17 de setembro a 16 de dezembro de 2012.
Apresentação das Boas Práticas já reconhecidas pela OIT: 02 de outubro de 2012, durante segunda etapa presencial do IV Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil, que será realizada no Panamá.
Triagem das experiências: de 19 de novembro a 21 de dezembro de 2012.
Período de confirmação das informações das experiências selecionadas: janeiro de 2013.
Envio das experiências semifinalistas ao Comitê de Seleção: 28 de janeiro de 2013.
Avaliação pelo Comitê de Seleção: 28 de fevereiro de 2013 (dia da reunião do Comitê).
Apresentação das 10 experiências finalistas: 11 de março de 2013, durante a terceira etapa presencial do IV Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil, que será realizada no México.
Período de votação online: 11 de março a 05 de maio de 2013.
Divulgação das experiências ganhadoras: 06 de maio de 2013.
Apresentação das experiências ganhadoras e recepção dos vencedores: junho de 2013, durante a quarta etapa presencial do IV Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil, que será realizada no México.
 INSCRIÇÃO
Para se inscrever no Concurso, é necessário preencher dois formulários por projeto: um com dados institucionais, que comprove a existência e vigência da organização responsável pela experiência; e outro com a sistematização da experiência.
Preencha todos os campos e no caso de dúvidas entre em contato conosco.
É necessário ler e aceitar o regulamento do concurso para poder participar. Clique aqui para ler o regulamento antes de se inscrever.
Clique aqui para se inscrever no Concurso de Boas Práticas.

Você também pode enviar seu formulário de inscrição por e-mail para o endereço concursobp@redlacti.org. Para baixar o formulario em documento word, clique aqui.
Os interessados com menos de 18 anos que quiserem participar do Concurso de Boas Práticas deverão encaminhar uma autorização de sua mãe/pai ou tutor legal ao e-mail concursobp@redlacti.org, É necessária a leitura e aceite do regulamento do concurso por parte da pessoa que assine a autorização. Clique aqui para baixar o documento de autorização de participação

Fonte: Rede contra o trabalho infantil

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Fluxo escolar é um dos principais desafios da Educação na próxima década.

A conclusão faz parte do relatório De Olho nas Metas 2011, do Todos Pela Educação

Fluxo escolar é um dos principais desafios da Educação na próxima década
Divulgação/TPE
 
O Brasil pode não atingir as metas de conclusão do Ensino Fundamental e Médio até 2022, caso não resolva o problema do atraso escolar, causado principalmente pelo ingresso tardio, pela repetência e pelo abandono. A conclusão integra o relatório De Olho nas Metas 2011, lançado nesta terça-feira (7) pelo Todos Pela Educação.

Da Redação do Todos Pela Educação
Baixe aqui a íntegra do De Olho nas Metas 2011




As 5 Bandeiras - TODOS PELA EDUCAÇÃO

Google Imagens


Em dezembro de 2010, o Todos Pela Educação anunciou 5 Bandeiras para os próximos anos. Elas tratam de assuntos que o movimento entende como prioritários para que o Brasil alcance melhoras impactantes na qualidade da Educação.

As Bandeiras surgiram da necessidade de o movimento defender políticas que possibilitem a aceleração do cumprimento das metas estabelecidas desde seu início. Isso porque o Todos Pela Educação concluiu que, apesar dos muitos avanços ocorridos desde 2006, ainda há muito a ser feito para garantir a todos os brasileiros o direito a uma Educação de qualidade.


São elas:

Formação e carreira do professor
De acordo com dados do Censo Escolar 2010, 13% dos professores do Ensino Médio do Brasil não têm formação adequada. Esse é apenas um dos gargalos relacionados ao magistério no Brasil. Outro é a baixa remuneração: o professor recebe 40% menos do que a média de outros profissionais com o mesmo nível de escolaridade, segundo o MEC. 
 
Diante desse cenário, o Todos Pela Educação defende uma formação adequada e sólida ao professor, que equilibre prática e teoria e que vise a garantia da aprendizagem do aluno, assim como uma carreira atraente, com salário equiparado às demais profissões e com plano de carreira estimulante. Para o movimento, esses são pontos-chaves para impactar de forma positiva o bom desempenho do profissional em sala de aula e, consequentemente, para ampliar a oferta da Educação de qualidade.
 
Definição das expectativas de aprendizagem
 
Embora o país conte com a chamada Prova Brasil, com o Índice Brasileiro da Educação Básica (Ideb) e com metas para as redes e as escolas, ainda não foram definidas as expectativas de aprendizagem ou o direito de aprender dos alunos por série ou por ciclo. Ou seja, os exames acabam cobrando algo que nunca foi estabelecido pelo estado nem alinhado previamente com as escolas.
 
Faz-se urgente, portanto, elaborar e adotar essas expectativas, para que as redes, as escolas e os professores saibam a que objetivos pedagógicos precisam responder.
 
Uso relevante das avaliações externas na gestão educacional
 
Nos âmbitos federal, estadual e municipal, as avaliações externas foram implementadas e aplicadas no diagnóstico dos sistemas de ensino. A prática já está bem difundida na sociedade brasileira, mas falta ainda fortalecer o papel das avaliações, dando um passo além da simples sinalização do nível de qualidade da Educação.
 
Por isso, o Todos Pela Educação trabalha para que os resultados das provas sejam utilizados de forma a corrigir os rumos do que não está dando certo dentro da sala de aula e na gestão educacional. Isso significa que os resultados dos exames devem fornecer informações a fim de que professores aprimorem sua prática pedagógica e os gestores elaborem melhores políticas públicas. As avaliações devem servir para orientar as rotas da garantia do direito à Educação de qualidade para todos, redirecionando caminhos e combatendo as desigualdades reveladas. Não podem constituir um mero instrumento de punição.
 
Aperfeiçoamento da gestão e da governança da Educação
 
O Todos pela Educação vê como fundamental a efetivação de um regime de colaboração entre os entes federados, com normas que regulamentem as responsabilidades dos municípios, dos estados e da União. De acordo com a Undime, sem um regime efetivo, é inviável que grande parcela dos municípios atinja qualquer meta estabelecida.
 
Em relação à governança, o país precisa investir na aprovação e na efetivação do Plano Nacional de Educação, principal diretriz para as políticas educacionais, com metas e submetas viáveis para uma década.
 
Fazem parte também dessa bandeira a mobilização e a articulação para que se aprove em nível nacional uma Lei de Responsabilidade Educacional. Ela deve estimular e incentivar o comprometimento dos governantes com o resultado do desempenho dos alunos.
 
Ampliação da exposição dos alunos à aprendizagem
 
No Brasil, a exposição à aprendizagem ainda é muito baixa, uma vez que a jornada mínima diária obrigatória nas escolas é de apenas quatro horas. Na prática, o tempo de exposição efetivo é ainda menor, se forem levados em conta fatores como: o envolvimento de docentes em atividades burocráticas, a ausência de professores, o uso de tempo do educador no combate à indisciplina ou mesmo a falta de infraestrutura de algumas salas de aula.
 
Assim, o Todos Pela Educação acredita que é prioritário o cumprimento efetivo das quatro horas diárias obrigatórias e o aumento da exposição, associado à melhora das condições de aprendizagem e do funcionamento das escolas. Também se faz necessário colocar em prática a Educação integral nas áreas mais vulneráveis do país, como o campo e a periferia das metrópoles urbanas, a fim de equalizar as oportunidades educacionais.

MEC lança pacto para alfabetizar aos 8 anos

Google Imagens
Municípios que apoiam proposta terão material didático e cursos de formação
Com quantos anos uma criança precisa saber ler e escrever? O Ministério da Educação lançará no mês que vem o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que estabelece que todos devem estar alfabetizados ao fim do 3.º ano do ensino fundamental, aos 8 anos de idade. É o que prevê, também, a meta 5 do Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso.
No País todo, 5.182 municípios (93,2% do total) aderiram ao pacto e receberão material didático e cursos de formação docente.
Uma notícia a ser comemorada? Em parte, afirmam os especialistas. O compromisso com a alfabetização é importante e é preciso, de fato, que o País se responsabilize por isso. A questão a ser discutida, questionam, é a idade estipulada para que esse processo se concretize.
“Oito anos é muito tarde. O País já paga muito caro pelo histórico de falta de atenção à educação. Então, se a ideia é mudar isso, temos de centrar esforços e apostar em metas mais ousadas”, afirma Izolda Cela de Arruda Coelho, secretária de Educação do Ceará.
Por lá, os avanços dos anos iniciais fizeram o Estado referência em alfabetização. O programa do MEC, inclusive, foi inspirado no que é desenvolvido pela rede cearense desde 2007 (mais informações nesta página). “Recebemos a visita do ministério, porque pediram nossa participação. Minha discordância manifesta é em relação à idade”, completa Izolda.
Pode parecer detalhe, mas, nesse caso, um ano a mais faz diferença no direito dessa criança de se apropriar das coisas à sua volta, afirma o neurocientista Ivan Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Prejuízo intelectual não causa, porque sempre se pode alfabetizar depois. Mas a criança perde espaço para participar do mundo.”
Para ele, essa alfabetização tardia é uma questão cultural e mudar esse paradigma exige que as políticas públicas considerem, além do olhar dos pedagogos, a visão de outros cientistas. “Não dá para trabalhar isolado. O cérebro é uma questão da neurociência. Aos 3 anos, a criança já tem condições de dominar e usar a linguagem. Aos 6, já pode estar alfabetizado.”
O presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Araujo e Oliveira, explica que 6 anos é a idade em que se alfabetiza na maior parte dos países que têm um idioma com complexidade parecida à da língua portuguesa, considerada semitransparente, isto é, que tem razoável correspondência entre grafema e fonema.
Há línguas transparentes em que a correspondência é mais regular – como o italiano e o finlandês – e idiomas opacos, nos quais há muitas irregularidades entre a forma que se fala e a maneira que se escreve, como o inglês. Nesses idiomas, o processo seria mais demorado.
“Considerando que a escolarização tem começado aos 4 anos, não dá para conceber que se leve outros quatro para que essa criança leia e escreva”, diz Araujo e Oliveira.
A prova da possibilidade dessa alfabetização, resume a consultora educacional Ilona Becskeházy, são as escolas privadas. “Se o aluno do colégio particular aprende a ler e a escrever no primeiro ano, por que a expectativa para quem depende da rede pública é maior?”
Ponderações. Apesar da capacidade neurológica das crianças, trabalhar com idade limite inferior aos 8 anos é utopia, pondera Priscila Fonseca da Cruz, diretora executiva da ONG Todos pela Educação. “Uma meta precisa ser desafiadora, mas factível. É claro que há muitos que lerão aos 6 e aos 7 anos, mas se conseguirmos uma régua que garanta que ninguém chegue aos 9 analfabeto, já é um bom início.”
Ela lembra que a Prova ABC – aplicada a cerca de 6 mil alunos de escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais do País – mostrou que só metade dos estudantes estava plenamente alfabetizada aos 8 anos.
É preciso, ainda, considerar que pelo menos 20% das crianças brasileiras também não têm acesso à educação infantil e chegam menos prontas ao ensino fundamental. “Infelizmente o Brasil é desigual e o princípio da razoabilidade precisa estar presente”, acrescenta Priscila.
O secretário de Educação Básica do MEC, Cesar Callegari, também contesta a visão de que se deveria baixar para os 6 anos a idade de alfabetização. “O que estamos propondo não se trata, de forma alguma, de esticar um prazo. Nossas crianças vêm de várias origens e a escola procura minimizar essa desigualdade”, diz.
Durante o ciclo de aprendizagem, que engloba os três primeiros anos escolares, alguns alunos se desenvolverão antes que outros. “Só devemos assegurar que todos, sem exceção, terminem essa fase alfabetizados. Isso não é afrouxar o trabalho, é respeitar que as crianças têm ritmos de desenvolvimento diferentes.” Callegari acrescenta: “O que vamos medir ao fim dos 8 anos não é a pura decodificação e a leitura automática. É algo mais complexo que, até mesmo nas escolas particulares, se consegue apenas nessa idade.”

Autor: Estado de S. Paulo

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mec-lanca-pacto-para–alfabetizar-aos-8-anos-,934868,0.htm